Encontro formativo on-line reuniu educadores e gestores da rede municipal para debater desde estratégias inovadoras de mobilização para a coleta de óleo até o impacto ambiental das escolhas alimentares diárias
A educação ambiental ganha vida e transforma realidades quando encontra espaço para a criatividade e o envolvimento direto da comunidade escolar. Foi a partir dessa perspectiva que o Programa Meio Ambiente nas Escolas (PMANE) realizou, no dia 3 de setembro de 2026, um encontro formativo on-line com diretores, coordenadores e professores da rede municipal de Mairiporã. A atividade abordou o tema “Alimentação e Meio Ambiente: o papel da escola na formação de hábitos sustentáveis”, conectando o descarte correto de resíduos ao debate sobre consumo consciente, clima e agroecologia.
Com um trabalho conjunto iniciado recentemente no município, em 2024, Mairiporã já se destaca pelo alto engajamento da rede. Atualmente, 17 das 24 escolas envolvidas participam ativamente da coleta em 2026, somando 6.925 litros de óleo de cozinha usado destinados corretamente desde o início da parceria — dos quais 2.287 litros foram arrecadados apenas neste ano. Além da preservação dos recursos hídricos, a coleta gerou R$ 3.850,00 diretamente para as caixas escolares, recurso utilizado pelas próprias unidades em ações pedagógicas e melhorias cotidianas.

“Mufa”, painéis e sabão: a criatividade que mobiliza o território
O grande diferencial de Mairiporã esteve no relato das próprias escolas, que apresentaram estratégias originais e adaptadas ao seu contexto local para engajar crianças e famílias na entrega do óleo usado.
Na Escola Muffared, a equipe criou uma moeda própria chamada “Mufa”. As crianças recebiam as cédulas simbólicas ao trazer o óleo de casa e podiam trocá-las por prêmios em uma espécie de lojinha pedagógica montada na unidade. A dinâmica divertida resultou na arrecadação de mais de 1.200 litros de óleo, mostrando a força da gamificação na aprendizagem prática.
Já na Escola Filomena, a aposta foi um painel interativo na entrada com fotos das turmas, sorteios e cartelas de adesivos colecionáveis. A professora Clara relatou o entusiasmo dos alunos com o projeto:
“O que eles mais gostam é de colecionar os adesivos. Se tornou uma febre na escola. Eles ficam ansiosos esperando a troca da bombona para garantir as figurinhas novas.”
O encontro também abriu espaço para lidar com os desafios do território. A professora Andreia Jeremias contou que em sua comunidade muitas famílias costumam utilizar o óleo usado para fazer sabão caseiro, o que diminui a quantidade entregue na escola. Em vez de ver a prática como um obstáculo, a equipe do PMANE propôs reconhecer esses moradores como parceiros da causa ambiental.
“Os vizinhos fazedores de sabão também são educadores ambientais, pois já ensinam a não jogar o óleo na pia ou no solo. Podemos convidá-los para a escola ou até rifar barras desse sabão comunitário”, sugeriu Anne Trummer, coordenadora do programa.

Conectando prato, clima e consumo consciente
Na segunda etapa da formação, os educadores debateram como a alimentação pode ser um fio condutor para discussões ambientais mais profundas. Anne Trummer destacou que cerca de 70% da comida consumida no Brasil vem da agricultura familiar e problematizou questões do cotidiano urbano, como a cultura do plástico descartável e o distanciamento de crianças e jovens em relação à origem dos alimentos.
Para aproximar os estudantes da terra, foram apresentadas propostas acessíveis para as escolas, como o cultivo de hortas pedagógicas em garrafas PET, pesquisas sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) presentes nos bairros e conversas com as merendeiras sobre a composição das refeições.
“Quando a criança descobre de onde vem o abacate e acompanha seu crescimento, ela passa a olhar e respeitar a natureza de outra forma. Se não for divertido e prático, não é sustentável”, pontuou Anne.

Metas para o segundo semestre e formação continuada
O coordenador do programa, Leonardo Boschetti, reforçou o compromisso do PMANE em apoiar as equipes gestoras e pedagógicas com suporte presencial e remoto, com a meta de alcançar 100% das escolas municipais ativas em ações ambientais até o final do ano.
Para dar continuidade ao trabalho em sala de aula, os educadores receberam um conjunto de materiais de apoio, incluindo a cartilha do Instituto Alana sobre consumismo infantil, indicações do podcast Prato Cheio, além de acesso ao Almanaque PMANE e à plataforma PMANEplay, rica em vídeos, jogos e recursos pedagógicos interativos.
Em Mairiporã, o encontro formativo reafirmou que a sustentabilidade se constrói com escuta, respeito à realidade local e boas ideias compartilhadas.

📥 Material da formação
O conteúdo utilizado no encontro está disponível para download e pode ser utilizado pelas equipes escolares como referência para HTPCs, projetos pedagógicos e atividades em sala de aula.











