Formação on-line realizada em formato de HTPC mostrou como escolhas alimentares, produção de alimentos, mudanças climáticas e consumo consciente estão relacionados e podem ser trabalhados no cotidiano escolar
O que chega ao prato dos estudantes tem relação com a água, o solo, o clima, a produção agrícola, o consumo e até a geração de resíduos. Foi a partir dessa perspectiva que o Programa Meio Ambiente nas Escolas (PMANE) promoveu um encontro formativo on-line com educadores de Ibiúna, realizado em formato de HTPC, propondo uma reflexão sobre como a alimentação pode se tornar uma importante ferramenta de educação ambiental.
A formação apresentou a alimentação como um ponto de encontro entre diferentes temas que já fazem parte da trajetória de formação do PMANE. Depois de discutir escolhas de consumo, pegada ambiental, mudanças climáticas, justiça climática e racismo ambiental, o programa propôs olhar para um elemento presente diariamente na vida de todos: o alimento. A ideia foi mostrar que, antes de chegar ao prato, cada refeição envolve uma cadeia que passa pelo solo, pela água, pelo clima, pelo trabalho de quem produz, pelo transporte e pelo comércio — e que continua depois do consumo, com os resíduos gerados.

Quando a alimentação vira uma questão ambiental
Ao longo do encontro, os educadores foram convidados a perceber que falar de alimentação vai muito além de falar de comida. A produção de alimentos depende de recursos naturais e, quando esses recursos são utilizados de maneira inadequada, os impactos ambientais aumentam. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas afetam a produção agrícola e podem comprometer a disponibilidade e a segurança alimentar, criando um ciclo de impactos que aproxima diretamente alimentação e sustentabilidade.
A formação também abordou a relação entre agricultura e mudanças climáticas. Aumento das temperaturas, alterações nos padrões de chuva e eventos extremos podem afetar a produtividade agrícola e colocar em risco a qualidade e a disponibilidade dos alimentos.
Para estimular a participação, o PMANE utilizou perguntas e informações em formato de verdadeiro ou falso. Entre os temas discutidos estiveram a relação entre o descarte inadequado de óleo de cozinha e a contaminação da água, a pegada hídrica da produção de carne bovina, a expansão agrícola e o desmatamento e a importância da agricultura familiar para a produção de alimentos no Brasil.
Mais do que apresentar informações, a proposta foi provocar os educadores a relacionarem esses assuntos com escolhas que fazem parte do cotidiano.

O papel da escola é formar pessoas
Se a produção de alimentos envolve questões ambientais, sociais e econômicas, qual pode ser o papel da escola diante desse cenário?
Essa foi uma das perguntas que orientaram a formação.
A resposta apresentada pelo PMANE parte justamente daquilo que a escola faz melhor: educar. A proposta não é que a escola resolva sozinha os grandes desafios relacionados à alimentação e à sustentabilidade, mas que ajude crianças e adolescentes a compreenderem de onde vêm os alimentos, quais impactos estão envolvidos em sua produção e como escolhas cotidianas podem fazer diferença para a saúde e para o planeta.
A alimentação também foi apresentada como uma oportunidade para desenvolver projetos interdisciplinares. Saúde, cultura alimentar, conhecimento, cidadania, consumo consciente, sustentabilidade e conexão com a natureza podem ser trabalhados a partir de um mesmo tema.
Na prática, isso pode significar conhecer a cozinha e conversar com as merendeiras, descobrir a origem dos alimentos, implantar ou fortalecer hortas, trabalhar a redução do desperdício ou abordar alimentação em diferentes disciplinas. São iniciativas que podem transformar situações do cotidiano escolar em experiências de aprendizagem.

Ibiúna já transforma educação ambiental em ação
A discussão ganhou uma dimensão local ao apresentar os resultados alcançados pelo PMANE em Ibiúna.
Desde o início da parceria, em 2017, as ações desenvolvidas no município já possibilitaram a destinação correta de 53.327 litros de óleo de cozinha usado. O resultado representa a participação de escolas e comunidades em uma ação contínua de educação ambiental e demonstra como uma mudança simples de comportamento pode ganhar escala quando mobiliza uma rede.
A coleta do óleo, nesse contexto, deixa de ser apenas uma atividade de reciclagem. Ela passa a funcionar como uma porta de entrada para conversar com os estudantes sobre água, resíduos, consumo, responsabilidade ambiental e participação comunitária.
É essa conexão entre prática e aprendizagem que está no centro da atuação do PMANE: transformar questões ambientais presentes no cotidiano em oportunidades para aprender, refletir e agir.

Formação continua depois do encontro
Como parte da proposta formativa, o PMANE também reuniu materiais para que os educadores possam aprofundar os temas apresentados e levá-los para outros momentos de formação, projetos pedagógicos e atividades em sala de aula. Entre os conteúdos indicados estão publicações, vídeos, trilhas educativas e recursos sobre alimentação, consumo consciente, agroecologia e sustentabilidade.
Também foram apresentados recursos próprios do programa, como o Almanaque PMANE, plataforma de planos de aula e materiais didáticos, e o PMANEplay, que reúne conteúdos interativos, vídeos, animações e jogos educativos.
Ao final, fica uma ideia que sintetiza a proposta do encontro: a alimentação pode ser uma das formas mais próximas e concretas de conectar educação, saúde e meio ambiente.
E, em Ibiúna, essa conversa encontra um terreno já construído pela participação das escolas e pelo trabalho contínuo de educação ambiental desenvolvido pelo PMANE.


📥 Material da formação
O conteúdo utilizado no encontro está disponível para download e pode ser utilizado pelas equipes escolares como referência para HTPCs, projetos pedagógicos e atividades em sala de aula.











