Formação com a rede municipal refletiu sobre a pegada ecológica dos alimentos, a proteção dos recursos hídricos e a importância de transformar pequenas ações do cotidiano em aprendizado de longo prazo
A educação ambiental exige persistência, propósito e a certeza de que cada semente plantada em sala de aula dará frutos no futuro. Foi sob essa perspectiva que o Programa Meio Ambiente nas Escolas (PMANE) realizou, no dia 3 de agosto de 2026, um encontro formativo on-line com educadores, coordenadores e gestores da rede municipal de Paulínia. A atividade abordou o tema “Alimentação e Meio Ambiente: o papel da escola na formação de hábitos sustentáveis”, conectando o descarte correto do óleo de cozinha à conscientização sobre a cadeia produtiva dos alimentos e o consumo consciente.
O evento marcou um momento especial na trajetória do programa no município. Inicialmente presente em duas unidades de ensino desde 2022, o PMANE vivenciou uma expressiva expansão em junho de 2026, quando 20 novas escolas aderiram à iniciativa, totalizando 22 unidades envolvidas na rede local. Até o momento, o trabalho conjunto em Paulínia já soma 1.991 litros de óleo de cozinha usado destinados corretamente, sendo 113 litros coletados ao longo de 2026 com o início da nova fase.
A representante das unidades escolares, Emérita, celebrou o momento de crescimento da parceria:
“Estamos muito felizes e agradecidos. É uma oportunidade importante para expandirmos esse compromisso ambiental a cada ano junto às nossas comunidades.”

O papel do tempo e a esperança na formação de futuros decisores
Conduzido por Beatriz Siqueira e Leonardo Giardini, do Instituto Preserva, o encontro trouxe dados impactantes sobre a pegada ambiental do sistema alimentar — como os mais de 15 mil litros de água necessários para a produção de um quilo de carne bovina e o fato de que um único litro de óleo de cozinha descartado incorretamente contamina até 2,5 milhões de litros de água.
As discussões geraram um debate marcante sobre o tempo necessário para que a educação ambiental produza resultados de grande escala na sociedade. A professora Vanessa Lara sintetizou o desafio enfrentado pelos educadores ao falar sobre o impacto de curto e longo prazo no ambiente escolar:
“Eu penso que esse trabalho nas escolas a curto prazo é um trabalho de um por cento, se não for menos. Porém, a gente tem que ter a esperança de que as nossas crianças vão se tornar adultos que vão ocupar cargos e posições de decisão, não só no poder público, mas também nas indústrias.”
A reflexão foi acompanhada pela formadora Beatriz Siqueira, que defendeu a importância de manter a mobilização diante dos grandes desafios ecológicos globais:
“A gente não pode ficar imobilizado. Temos que acreditar no nosso propósito e ir em frente, fazendo o que é certo independente dos obstáculos ao nosso redor.”

Práticas pedagógicas e engajamento das famílias
Para tornar o aprendizado visual e participativo, o encontro debateu estratégias para fortalecer o engajamento comunitário na arrecadação do óleo. Uma das propostas trabalhadas foi a criação de “cantinhos da natureza” nas escolas e a entrega de garrafas para que os próprios alunos levem para casa, transformando o ato de guardar o resíduo em uma tarefa em família.
A coordenadora pedagógica Aline Gabriela Cardoso Dias destacou como o incentivo direto aos estudantes impulsiona o projeto:
“Se a gente fizer esse movimento, acaba estimulando ainda mais as famílias e as crianças, porque o aluno leva a garrafa para casa e isso cria um propósito visual e prático muito claro para ele.”
Entre os eixos apresentados na formação para abordar a sustentabilidade nas disciplinas, estiveram o apoio à agricultura familiar (responsável por cerca de 70% da comida consumida no país), o combate ao desperdício na merenda, a valorização de circuitos curtos de produção e o incentivo ao consumo consciente.

Suporte técnico e continuidade do trabalho
Com quase 15 anos de atuação e presença em cerca de 900 escolas pelo estado de São Paulo, o Instituto Preserva reafirmou o apoio contínuo às equipes de Paulínia. Como ressaltou Leonardo Giardini, a proposta do PMANE é oferecer materiais, trilhas pedagógicas e incentivo para que a pauta ambiental permaneça aquecida no dia a dia da rede.
Ao final do encontro, as equipes escolares receberam o conjunto de materiais pedagógicos de apoio — incluindo os recursos das plataformas digitais Almanaque PMANE e PMANEplay —, além de orientações para a organização dos fluxos de coleta e comunicação direta via grupo de acompanhamento.
Em Paulínia, o ciclo formativo se encerra com a certeza de que a ampliação do número de escolas participantes trará novos caminhos para que cada criança se torne um agente de transformação dentro de casa e na comunidade.


📥 Material da formação
O conteúdo utilizado no encontro está disponível para download e pode ser utilizado pelas equipes escolares como referência para HTPCs, projetos pedagógicos e atividades em sala de aula.











