Portaria MEC nº 734/2026 | Educação ambiental | Sustentabilidade | Mudanças climáticas
Atividades práticas de educação ambiental podem aproximar os conteúdos escolares dos desafios socioambientais do cotidiano.
O Ministério da Educação (MEC) instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental Escolar (PNEAE), por meio da Portaria MEC nº 734, de 25 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 28 de setembro. A nova política estabelece diretrizes para fortalecer a educação ambiental nas escolas de todo o país, integrando o tema aos currículos, à formação dos profissionais da educação e às ações de prevenção e enfrentamento das mudanças climáticas.
A iniciativa abre novas possibilidades para que as redes de ensino desenvolvam projetos permanentes de educação ambiental, aproximando o aprendizado da realidade dos territórios. Nesse contexto, o Programa Meio Ambiente nas Escolas (PMANE) oferece uma estrutura de atividades pedagógicas, mobilização comunitária e gestão de resíduos que pode contribuir diretamente para a implementação de diversas diretrizes da nova política.
Uma nova política para integrar educação ambiental ao cotidiano escolar
A PNEAE tem como finalidade fortalecer as capacidades institucionais e as práticas pedagógicas das redes de educação básica, assegurando o direito à educação ambiental e promovendo ações de prevenção, adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas.
Entre seus principais objetivos estão:
- Educação ambiental transversal: integrar o tema aos currículos escolares, de maneira interdisciplinar e em todas as etapas e modalidades de ensino.
- Formação continuada: ampliar a preparação de professores, gestores e demais integrantes da comunidade escolar.
- Ação climática: estimular a participação das escolas em iniciativas de prevenção, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além de ações voltadas à conservação da biodiversidade.
- Escolas sustentáveis e resilientes: incentivar práticas pedagógicas, soluções baseadas na natureza e melhorias na sustentabilidade dos ambientes escolares.
- Participação comunitária: aproximar as escolas de organizações da sociedade civil, movimentos sociais e comunidades dos territórios.
- Monitoramento e avaliação: promover o acompanhamento das iniciativas e a avaliação das estratégias adotadas pelas redes de ensino.
A política está organizada em seis eixos estruturantes: Coordenação Federativa; Formação; Reconhecimento, Valorização e Compartilhamento de Saberes e Práticas; Educação Popular e Ação Climática; Prevenção e Adaptação a Riscos e Emergências Socioambientais e Climáticas; e Monitoramento e Avaliação.
A adesão dos estados e municípios é voluntária, mediante assinatura de um termo específico pelo respectivo chefe do Poder Executivo. A política também prevê assistência técnica e financeira do MEC, que poderá ocorrer por meio do PDDE, do Plano de Ações Articuladas (PAR), de editais e de outras iniciativas de apoio às redes de ensino.
Como o PMANE pode contribuir para a implementação da nova política
Com uma metodologia que combina educação ambiental, mobilização da comunidade escolar e destinação adequada do óleo de cozinha usado, o PMANE oferece às escolas uma maneira de transformar conceitos ambientais em experiências concretas de aprendizagem.
Ao trabalhar com a coleta de óleo residual de fritura (OGR), o programa aborda questões como consumo consciente, economia circular, prevenção da poluição da água, responsabilidade compartilhada e gestão sustentável de resíduos sólidos. Essas atividades podem ser incorporadas ao planejamento pedagógico, envolvendo estudantes, professores, gestores, famílias e parceiros locais.

1. Educação ambiental integrada ao currículo
As atividades do PMANE podem ser utilizadas em diferentes componentes curriculares, como Ciências, Geografia e Matemática, além de projetos interdisciplinares. O ciclo do óleo usado permite trabalhar desde a poluição dos recursos hídricos até o consumo responsável e a economia circular, relacionando os conteúdos à realidade dos estudantes.
2. Formação de professores e gestores
Os dispositivos formativos e pedagógicos do PMANE podem apoiar os profissionais da educação no planejamento e na realização de atividades ambientais. A Formação PMANE, o PMANEplay e o Almanaque PMANE oferecem possibilidades de aprofundamento e de desenvolvimento de práticas educativas que podem ser adaptadas à realidade de cada escola.


3. Participação e protagonismo dos estudantes
As campanhas de arrecadação de óleo usado permitem que os estudantes participem ativamente das ações ambientais. A mobilização das famílias e da comunidade escolar amplia o alcance das atividades e estimula a adoção de práticas sustentáveis também fora da escola.
4. Gestão sustentável de resíduos e educação popular
A logística reversa do óleo de cozinha usado permite abordar a destinação adequada de resíduos e aproximar a escola dos agentes responsáveis pela reciclagem. A articulação contribui para a educação popular, a participação comunitária e a valorização do trabalho dos catadores.


5. Escolas sustentáveis e territórios educativos
Ao estimular mudanças de hábitos e o envolvimento da comunidade, o PMANE pode integrar projetos mais amplos de sustentabilidade escolar. As ações também podem ser articuladas a iniciativas locais de conservação ambiental, prevenção da poluição e conscientização sobre os impactos das mudanças climáticas.
A contribuição do PMANE está especialmente relacionada aos objetivos de transversalidade curricular, formação, participação comunitária e gestão sustentável de resíduos previstos na PNEAE. A participação no programa, entretanto, não substitui a adesão formal à política nem contempla, isoladamente, todas as exigências relacionadas à prevenção de desastres e à adaptação climática.
Secretarias de Educação e Meio Ambiente: uma oportunidade de atuação conjunta
A nova política também cria oportunidades para que as administrações municipais fortaleçam a integração entre as áreas de Educação e Meio Ambiente. A articulação intersetorial é uma das diretrizes expressas da PNEAE e pode ser colocada em prática por meio de programas permanentes, com objetivos, responsabilidades e indicadores compartilhados.
Nesse cenário, o PMANE pode ser incorporado como uma ferramenta de implementação da política municipal de educação ambiental, conectando o planejamento das secretarias às atividades realizadas nas escolas. Veja como as secretarias podem utilizar o PMANE:
Secretaria Municipal de Educação
- Incorporar as atividades do PMANE ao planejamento pedagógico da rede, respeitando a autonomia das escolas.
- Estimular a participação de diretores, coordenadores pedagógicos e professores nas ações e formações.
- Utilizar os materiais pedagógicos do programa como apoio ao desenvolvimento de projetos interdisciplinares.
- Acompanhar a participação das escolas e os resultados educacionais e ambientais alcançados.
Secretaria Municipal de Meio Ambiente
- Articular a logística reversa do óleo de cozinha usado com os sistemas municipais de gestão de resíduos sólidos.
- Mobilizar o comércio local a doar seu óelo usado para as escolas e assim apoiar a educação ambiental atrealado à destinação do material.
- Integrar as atividades escolares às campanhas municipais de educação ambiental, prevenção da poluição e consumo consciente.
- Contribuir para a divulgação dos volumes coletados e dos resultados ambientais do programa.
Atuação integrada
- Estabelecer um plano de trabalho conjunto entre as secretarias, com metas e responsabilidades definidas.
- Ampliar a participação das escolas e dos demais equipamentos públicos municipais.
- Consolidar indicadores de participação, formação, mobilização e coleta.
- Incorporar os resultados do PMANE aos relatórios e instrumentos municipais de acompanhamento da educação ambiental.
Essa atuação conjunta permite que o PMANE deixe de ser apenas uma iniciativa pontual em determinadas escolas e passe a integrar uma estratégia municipal mais ampla, com continuidade, planejamento e acompanhamento de resultados.

Como os municípios podem documentar e apresentar o PMANE
A PNEAE prevê mecanismos de acompanhamento das ações de educação ambiental, além de uma estrutura de governança responsável por articular e monitorar a implementação da política nas redes de ensino. A portaria também estabelece o papel dos agentes de governança na articulação das redes e no levantamento de informações sobre as iniciativas existentes.
Para os municípios que já desenvolvem o PMANE, esse contexto representa uma oportunidade de organizar e sistematizar as experiências realizadas, demonstrando como o programa contribui para a política municipal de educação ambiental.
Entre as informações que as secretarias podem reunir estão:
- Número de escolas participantes e sua distribuição por etapa de ensino.
- Quantidade de professores e gestores envolvidos nas atividades formativas.
- Número de estudantes alcançados pelas ações pedagógicas.
- Volume de óleo usado coletado e sua destinação por meio da logística reversa.
- Atividades educativas desenvolvidas e sua integração aos projetos pedagógicos.
- Participação de famílias, associações e outros parceiros.
- Resultados de campanhas, projetos interdisciplinares e ações de mobilização comunitária.
As secretarias podem elaborar um relatório anual de educação ambiental que reúna os resultados do PMANE e de outras iniciativas desenvolvidas na rede. Esse documento pode subsidiar o planejamento da política municipal, o monitoramento das ações e a preparação de informações para eventuais editais de reconhecimento, respeitando os indicadores e os critérios oficiais que venham a ser estabelecidos pelo MEC.
É importante destacar que a Portaria nº 734/2026 instituiu o Selo Chico Mendes de Educação Ambiental Escolar, destinado a reconhecer redes de ensino que desenvolvem ações pedagógicas e de gestão voltadas à educação ambiental e à construção de escolas sustentáveis e resilientes. Entretanto, os indicadores, as metas e os critérios para sua concessão ainda dependem de edital próprio. Portanto, a participação no PMANE pode compor o conjunto de iniciativas apresentadas pelos municípios, mas não garante, por si só, a obtenção do selo.


PMANE: da educação ambiental à transformação dos territórios
Desde 2012, o PMANE desenvolve ações que aproximam a educação ambiental do cotidiano das escolas, articulando a formação de estudantes e educadores à coleta e à destinação adequada do óleo de cozinha usado.
Ao longo dessa trajetória, o programa ampliou sua atuação e passou a reunir escolas, administrações municipais, organizações da sociedade civil e agentes da cadeia de reciclagem em torno de um objetivo comum: transformar práticas cotidianas em oportunidades de aprendizagem e mobilização socioambiental.
A instituição da Política Nacional de Educação Ambiental Escolar reforça a importância de iniciativas que conectem o currículo escolar aos desafios dos territórios. Com sua metodologia e seus dispositivos pedagógicos, o PMANE pode apoiar municípios interessados em estruturar ações permanentes, envolver a comunidade e acompanhar resultados concretos.
Para as escolas, é uma oportunidade de ampliar as experiências de aprendizagem. Para as secretarias municipais, representa uma possibilidade de integrar políticas públicas e fortalecer a educação ambiental como parte do planejamento da rede de ensino.
A educação ambiental ganha força quando o conhecimento se transforma em prática e a prática mobiliza toda a comunidade.











