Em parceria consolidada há mais de uma década com o município, formação on-line debateu o impacto ambiental das escolhas alimentares, o valor dos alimentos e estratégias lúdicas de engajamento escolar
O que é colocado no prato, e o que acaba descartado nele, traz reflexões profundas sobre saúde, meio ambiente e cidadania. No dia 6 de agosto de 2026, o Programa Meio Ambiente nas Escolas (PMANE), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Cotia, o Instituto Preserva e a Óleo Vitaliv, promoveu um encontro formativo on-line reunindo mais de 30 coordenadores e educadores da rede municipal para debater o tema “Alimentação e Meio Ambiente: o papel da escola na formação de hábitos sustentáveis”.
A atividade funcionou como ponto de partida para as discussões que serão levadas às Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) ao longo do segundo semestre. Na abertura, Leonardo Giardini, representante do PMANE, destacou que a pauta ambiental precisa atravessar o cotidiano das salas de aula de forma produtiva e interdisciplinar.

O desafio do desperdício e a pegada ambiental dos alimentos
Um dos debates mais urgentes trazidos para o encontro partiu da realidade vivida nas refeitórios escolares. A coordenadora Isis do Carmo de Oliveira Galdino relatou o cenário preocupante observado nas rotinas das unidades:
“A secretária tem visitado as escolas e notou um grande desperdício de alimento. As crianças recebem o prato e muitas vezes não comem, jogam a comida fora. Às vezes colocam uma colherada e já descartam. É muito triste ver as crianças desperdiçando tanto.”
O relato abriu espaço para discutir a pegada ambiental da produção de alimentos e o custo invisível do descarte. Durante a formação, foram apresentados dados sobre o consumo de recursos naturais na cadeia produtiva, como os 15 mil litros de água necessários para produzir apenas um quilo de carne bovina, o equivalente a até seis caixas d’água residenciais cheias.
Além disso, a exibição de trechos de produções audiovisual, como o documentário “Muito Além do Peso”, ajudou a problematizar o distanciamento das crianças urbanas em relação à origem dos alimentos, o avanço dos ultraprocessados e a necessidade de resgatar a conexão com o que se come.
Criatividade e engajamento: a história do mascote em crochê
Para além dos diagnósticos, o encontro foi palco para a troca de experiências práticas de mobilização. A educadora Miriam de Freitas Pereira compartilhou uma estratégia lúdica desenvolvida em sua unidade para engajar os estudantes na arrecadação de óleo e na educação ambiental:
“Eu fiz um mascote de crochê para o PMANE e usei figurinhas em papel adesivo. A sala que trouxesse mais óleo vegetal usado ganharia um mascote maior. Foi bem legal!”
A iniciativa ilustra como a criatividade dos educadores locais consegue transformar ações ambientais em momentos de aprendizado coletivo e cooperação entre as turmas.
Entre as sugestões pedagógicas trabalhadas para o semestre, o PMANE indicou ações de aproximação com as equipes de merendeiras, investigação da origem dos insumos, implantação de hortas escolares e o acompanhamento das sobras nos pratos para transformar dados de desperdício em projetos de conscientização.

Uma parceria histórica que ganha escala
Parceiro de Cotia desde 2012, o PMANE já ajudou a rede municipal a destinar corretamente 59.464 litros de óleo de cozinha usado desde o início das atividades. Apenas em 2026, o volume recolhido já soma 6.161 litros, contando com a participação ativa de 37 escolas com coleta direta, em um universo de 88 unidades da rede envolvidas com o PMANE.
O empenho contínuo da cidade foi celebrado por Rosenildo Alves da Cruz, representante da Secretaria de Educação de Cotia, ao encerrar o encontro:
“Parabéns pela pauta necessária. As reflexões que tiramos hoje serão aprofundadas no nosso trabalho diário. Parabéns ao time do PMANE que está fazendo um super trabalho nas escolas, buscando engajamento total para que no final do ano a gente decole como um foguete.”
Para dar suporte aos projetos nas escolas, as equipes pedagógicas receberam um pacote de links para materiais de apoio, incluindo a cartilha “Consumismo Infantil na Contramão da Sustentabilidade” (Instituto Alana), materiais sobre agroecologia e cardápios sustentáveis, além do acervo digital do próprio programa: o Almanaque PMANE, com planos de aula interativos, e o PMANEplay, com jogos e animações.
Como resumiu a formadora Carolina Cotrim, a proposta é encarar a alimentação como uma ponta de lança para formar cidadãos conscientes. Com ferramentas em mãos e uma rede engajada, Cotia renova seu compromisso em fazer da educação ambiental uma prática viva.

📥 Material da formação
O conteúdo utilizado no encontro está disponível para download e pode ser utilizado pelas equipes escolares como referência para HTPCs, projetos pedagógicos e atividades em sala de aula.











